Variações sobre um tema original, "Medicina" na Literatura II, Op.12
A civilização egeia começou por volta do ano 3000 a.C. com a conquista das ilhas gregas por raças que habitavam as costas orientais do Mediterrâneo. Várias influências vindas do Oriente foram insufladas na cultura pré-helénica e simultaneamente transmitidas pelo processo de separação da Ásia. Os conhecimentos médicos, a princípio exclusividade dos deuses imortais, haviam sido transmitidos aos mortais graças a Quíron, o centauro educador de heróis. Dois dentre os alunos de Quíron, pelo menos, aprenderam com ele as artes médicas: Asclépio e Aquiles.
A medicina helénica desenvolve-se a par da filosofia, tornando-se pela primeira vez numa ciência e numa arte praticada não por sacerdotes, mas por leigos, que substituíram a magia pela investigação.
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| Ulisses e Penélope. Francesco Primaticcio, 1563 |
A mais antiga fonte de informação de medicina grega é a obra de Homero. O médico era uma figura respeitada e Homero escreve o seguinte sobre ele: "Vale muitas vidas e não tem igual na arte de arrancar flechas das feridas e curar com unguentos de ervas". Além de Aquiles, Homero conta que estiveram em Tróia os seguintes médicos: Podalírio e Macaon, filhos de Asclépio, e Pátroclo, filho de Menetes, amigo dileto de Aquiles. Os filhos de Asclépio aprenderam a medicina com o próprio pai. Pátroclo com o amigo Aquiles. A Odisseia traz também algumas passagens interessantes. A mais notável delas relata a visita de Telémaco a Menelau, em Esparta, quando Helena coloca no vinho uma substância euforizante, de origem egípcia, "calmante da dor e do ressentimento" obtida, provavelmente, de uma planta. Em outra parte, Hermes dá a Ulisses uma "erva mágica", antídoto contra as poções mágicas de Circe. Por outro lado, a Odisseia traz um dos mais antigos testemunhos sobre o uso de magia com fins terapêuticos: os filhos de Autólico sustem o sangramento de uma ferida num dos membros inferiores de Ulisses, produzida por um javali, através de um encantamento.
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| Guerra de Tróia representado num vaso grego |
A medicina praticada pelos hérois-médicos era ainda uma "ciência" eminentemente prática, restrita ao tratamento das feridas de guerra. Em várias passagens da Ilíada, porém, Homero deixa claro que esses médicos tinham também muitos conhecimentos referentes ao uso de plantas medicinais, úteis para o tratamento de ferimentos e em outras situações. Na Ilíada, Homero refere-se ainda a compressas, ligaduras, métodos para conter hemorragias e tratamentos à base de plantas. O vinho também era usado para dar forças aos feridos. A informação que Homero nos dá reflecte as práticas usadas nas civilizações de Creta e do mar Egeu.
Como a maior parte dos primeiros povos, os Gregos reconheciam a importância do sangue, mas não a sua função verdadeira. A prática de sangrar já então era usada e foi-o durante séculos, cortando as veias ou aplicando ventosas.
Variações sobre um tema original "Medicina" na Literatura II, Op.12
ARS MEDICA ET CHIRVRGICA | Arte Médica e a História da Medicina
Representações da Condição Humana. Representações da Saúde e da Doença. Da Felicidade, Melancolia e do Desespero. Da Vida e da Morte. Na Arte, na Literatura, na Pintura, na Escultura, na Música. Fragmentos esparsos da Medicina na sua História.


