quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Exposição "Real Bodies: Descubra o Corpo Humano" | Cordoaria Nacional, Lisboa

REAL BODIES - DESCUBRA O CORPO HUMANO
Classificação: M/03 anos | Duração Estimada: 90 min. s/ intervalo

   A exposição internacional “Real Bodies”, que apresenta mais de 350 órgãos e corpos humanos reais e que permite perceber como funciona o corpo humano, encontra-se patente na Cordoaria Nacional, em Lisboa.

   “Real Bodies – Descubra o corpo humano” é apresentada como a “maior e mais completa exposição de órgão e corpos humanos reais”, organizada por uma empresa norte-americana e que já foi exibida noutras cidades, somando mais de 15 milhões de visitantes.

   Em 2007, Lisboa acolheu uma exposição semelhante – com 17 cadáveres e 270 órgãos humanos conservados segundo a técnica de polimerização – que chegava a Portugal com um rasto de polémica e dúvidas sobre a origem dos corpos utilizados. “Real Bodies”, que também conta com corpos reais inteiros, apresentará corpos em várias posições anatómicas, órgãos afetados por doenças e ainda corpos de atletas durante a prática desportiva. Tendões, ossos, músculos, pele, os aparelhos urinário e respiratório, tudo será mostrado nesta exposição que, lê-se na página oficial, “é adequada para todos os públicos”.


   "Uma bailarina, um lançador de pesos, um basquetebolista com a bola na mão - três corpos literalmente sem pele, músculos flectidos, parados, mas cheios de movimentos. Há uma galeria na exposição Real Bodies – Descubra o Corpo Humano dedicada inteiramente ao desporto, para mostrar que o corpo humano está concebido para o movimento. “Queremos transmitir às pessoas que o corpo humano é óptimo para o movimento”, explica ao PÚBLICO Laura Alegria, curadora da exposição, defendendo que a mostra promove uma vida fi sicamente activa, algo que é bom para o próprio corpo. “Precisamos de nos mover. Nesta sociedade passamos muito tempo sentados.”


   Quem visitar a exposição aberta desde 31 de Outubro na Cordoaria Nacional, em Lisboa, e ainda sem data de encerramento, irá ver muito mais do que isso. Ao todo, há 34 cadáveres e 350 órgãos humanos preservados com três técnicas diferentes e têm um aspecto fresco. Por isso, é possível ver como são as nossas entranhas: os aparelhos respiratório, digestivo, urinário, sexual, circulatório; o cérebro e muitos, muitos músculos. “É muito didáctica”, diz a curadora, da Doca, a empresa inglesa que montou a exposição juntamente com a portuguesa World Crew - Events. “É feita para que todas as pessoas possam perceber o que é o corpo humano.”
   Esta não é a primeira vez que Lisboa recebe uma exposição deste género, onde se mostram cadáveres humanos preservados. Em 2007, o Palácio dos Condes do Restelo, na Rua da Escola Politécnica, abria as portas para a mostra O Corpo Humano como nunca o Viu. Cinco cadáveres que estão na Cordoaria Nacional já tinham feito parte daquela exposição. Várias exposições semelhantes passearam-se por muitas cidades do mundo nos últimos anos. Tudo começou com Body Worlds, de 2004, criada pelo médico anatomis-ta Gunther von Hagens, que em 1977 desenvolveu uma técnica de preservação de cadáveres que baptizou de “plastinação”.

   A plastinação permite fixar os tecidos mortos de forma a impedir a sua decomposição. É uma técnica constituída por cinco passos: primeiro, usam-se substâncias químicas para travar a decomposição do corpo; depois, dissecam-se as partes necessárias do cadáver para mostrar a sua anatomia; em terceiro lugar, elimina-se a água do corpo usando acetona; de seguida, coloca-se o corpo numa câmara de vácuo, num banho de polímeros líquidos - o vácuo obriga a acetona líquida a tornar-se gás, libertando-se dos tecidos, sendo substituída pelos polímeros; finalmente, aplica-se silicone para endurecer o corpo. Desta forma, graças às propriedades do plástico, o cadáver fica preservado indefinidamente, com um aspecto luzidio.

Os corpos e os órgãos foram submetidos a três técnicas diferentes 
que permitem conservar os tecidos indefinidamente
   Na nova exposição, além da plastinação, há ainda a utilização de mais duas técnicas, explica Laura Alegria. Uma em que se utilizam resinas de epóxido (um polímero artificial), o que permite endurecer os tecidos. Esta técnica foi usada para, depois, se poderem cortar finas fatias do corpo humano, outra aposta da exposição. A terceira técnica, chamada “fundição”, permite conservar apenas o sistema circulatório. Neste caso, injectam-se polímeros nas veias e artérias. Desta forma, é possível conservar os vasos sanguíneos, da cabeça aos pés, sem mais nenhum tecido. Os cadáveres provêm dos Estados Unidos e da China, segundo a informação prestada pela empresa de assessoria portuguesa da exposição Inha&Maria Luís: alguns pertenciam a pessoas que doaram os seus corpos para a ciência depois de morrerem, outros eram de pessoas que morreram e os seus corpos não foram reclamados. As leis dos Estados Unidos e da China, refere ainda a empresa de assessoria, permitem que os corpos sejam doados para a ciência. No passado, algumas exposições pelo mundo com cadáveres humanos plastinados estiveram envoltas em polémica quanto à origem dos corpos. Grupos defensores dos direitos humanos acusavam as empresas que organizavam as exposições de que os corpos eram de presos chineses condenados à morte.


   Esta exposição, que veio de Jesolo, no Norte de Itália, junto a Veneza, está aberta das 10h às 20h, todos os dias da semana, incluindo fins-de-semana e feriados. O bilhete custa 15,5 euros por adulto e há descontos para estudantes, idosos, crianças, famílias, grupos de adultos e grupos escolares. No fim-de-semana de abertura, mais de 3000 pessoas visitaram a exposição.

in Público 03.XI.2015, por Nicolau Ferreira.


   O interior da exposição manter-se-á aberto até às 21h30 para os últimos visitantes que entrarem até às 20h00. A entrada será feita por sessões de meia em meia-hora, em que a primeira terá início às 10h00 e a última às 20h00. Não existe tempo limite para a visita, mas o tempo previsto ronda 1h30 min. Entrada grátis para crianças até aos 4 anos desde que acompanhadas por um adulto portador e bilhete válido.

Site da exposição: http://www.realbodies.pt/

Variações sobre um tema original "Medicina" em Simpósios, apresentações e Exposições II, Op.5

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