Concluída em 1896, a Enfermaria de Segurança do Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda (inicialmente designado Hospital de Rilhafoles) foi concebida para acolher doentes mentais condenados por crimes. Na linha das teorias reinserção social mais avançadas da época, este bloco do complexo do Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda foi construído segundo o modelo "Panóptico". Modelo arquitectónico que Michel Foucault, filósofo francês, no seu livro "Vigiar e Punir", repescou e tornou famoso nos anos 70 do século XX para demonstrar as suas teorias sobre o "Suplício", "Punição", "Disciplina" e "Prisão".
O Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda, desativado há anos, tem um dos dois únicos panópticos sem teto que se conhecem no mundo. “Panóptico” quer dizer um modelo arquitetónico singular: o edifício é um círculo vazio no centro, centro em que uma torre permite "ver sem ser visto". Muito para lá da beleza que hoje se reconhece a este modelo arquitetónico do séc. XIX, o panóptico conta outra história, a da arquitetura ao serviço do controlo dos comportamentos. O psiquiatra Fernando Vieira e o arquiteto José António Bandeirinha foram guias na VISITA GUIADA, um programa da Rádio e Televisão Portuguesa com Paula Moura Pinheiro do passado 26 de Outubro de 2015.
O PROGRAMA pode ser revisionado aqui: http://www.rtp.pt/play/p2002/e211315/visita-guiada
O PROGRAMA pode ser revisionado aqui: http://www.rtp.pt/play/p2002/e211315/visita-guiada
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| Pavilhão de Segurança com o corpo de entrada rectangular e de apoio e o vasto corpo circular, 1948. |
O Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda, recentemente encerrado (designado Hospital de Rilhafoles até 1911) foi o terceiro grande hospital a ser fundado em Portugal, com 300 camas, em 1848 (a seguir aos Hospitais de Todos-os-Santos / S.José, em Lisboa, e ao Hospital de Sto António, no Porto) e ficou instalado no vasto edifício da Congregação da Missão dos Padres de S. Vicente de Paulo, construído entre 1730 e 1750 na antiga Quinta de Rilhafoles, adquirida por aquela instituição religiosa em 1720.
Primeiro hospital psiquiátrico fundado no país, sempre assumiu uma posição inovadora na assistência e terapêuticas utilizadas, e nele foram directores a maioria das grandes figuras nesta área da saúde como Caetano Beirão, António Pulido, Guilherme Abrantes, Miguel Bombarda, Júlio de Matos, Sobral Cid, António Flores ou Eduardo Cortesão, e nele exerceram outros como Barahona Fernandes ou o neurologista Mark Athias, além do neuro-psiquiatra João Alfredo Lobo Antunes, sendo ainda de realçar ter exercido no Hospital, o filho deste último, até se reformar, o escritor António Lobo Antunes.
O Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda, recentemente encerrado (designado Hospital de Rilhafoles até 1911) foi o terceiro grande hospital a ser fundado em Portugal, com 300 camas, em 1848 (a seguir aos Hospitais de Todos-os-Santos / S.José, em Lisboa, e ao Hospital de Sto António, no Porto) e ficou instalado no vasto edifício da Congregação da Missão dos Padres de S. Vicente de Paulo, construído entre 1730 e 1750 na antiga Quinta de Rilhafoles, adquirida por aquela instituição religiosa em 1720.
Primeiro hospital psiquiátrico fundado no país, sempre assumiu uma posição inovadora na assistência e terapêuticas utilizadas, e nele foram directores a maioria das grandes figuras nesta área da saúde como Caetano Beirão, António Pulido, Guilherme Abrantes, Miguel Bombarda, Júlio de Matos, Sobral Cid, António Flores ou Eduardo Cortesão, e nele exerceram outros como Barahona Fernandes ou o neurologista Mark Athias, além do neuro-psiquiatra João Alfredo Lobo Antunes, sendo ainda de realçar ter exercido no Hospital, o filho deste último, até se reformar, o escritor António Lobo Antunes.
Antecedendo o encerramento do Hospital, um documento subscrito em Dezembro de 2010 por personalidades de topo da Cultura e Ciência em Portugal (dos quais sobressaem António Damásio, Paula Rego, Júlio Pomar, Eduardo Nery, Joana Vasconcelos, António Lobo Antunes, João Lobo Antunes, Simonetta Luz Afonso, Raquel Henriques da Silva, ou Maria Filomena Mónica) apelou ao Desenvolvimento deste Museu de Sítio (que só faz sentido neste local carregado de história, onde Miguel Bombarda criou c. 1894 um dos primeiros Museus de Arte de Doentes da Europa, e com edifícios classificados e de arquitectura sem paralelo a nível internacional), contra o desmembramento ou mesmo a destruição das valiosíssimas coleções e arquivos, constituindo um Museu autónomo de Arte de Doentes / Arte Outsider e de Neurociências.
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Aspecto actual do Pavilhão de Segurança
do extinto Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda, 2015
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Na próxima semana:
- Quem foi Miguel Bombarda?
- Que personalidades famosas passaram pelo Panóptico e que outras marcas na literatura, pintura e cinema deixou este pavilhão de Segurança?
Variações sobre um tema original, Medicina em Portugal III, Op.6


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