Variações sobre um tema original, "Medicina" na Literatura V, Op.17
Desde a Antiguidade, a tuberculose, de presença impiedosa e diferentes denominações: tísica, consumpção, peste branca, influenciou o comportamento daqueles a quem atingiu. Esteve ligada à ideia de combustão do ser, gradualmente produzida pela febre. O comprometimento com a função pulmonar criou no imaginário as mais belas metáforas aéreas, voláteis, espirituais e profanas. Tais concepções constituíram o eixo da representação idealizada da tuberculose, existente desde a Idade Média e o Renascimento, com sensível reforço durante o século XIX, quando ficou conhecida como o mal do século.
Múltiplos enredos na literatura e música foram tecidos, senão quando mesmo os seus autores delas sofreram. A propósito da encenação em Portugal em mais de 20 anos d"A Dama das Camélias" no Auditório Municipal Eunice Muñoz, em Oeiras, parece ser uma boa oportunidade por relembrar uma das mais clássicas intersecções entre a literatura e a medicina. "A Dama das Camélias", escrita ainda no séc. XIX por Alexandre Dumas Filho, é inspirada na vida real de uma elegante cortesã francesa, Marie Duplessis (1824-1847), que viveu nos meados do século XIX e que encantou Paris com a sua beleza.
Um dos mais célebres romances do século XIX, A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas, o filho, publicado em 1848 com enorme sucesso, foi adaptado, no ano seguinte, para teatro pelo próprio autor, mas só representado em 1852. Conta-nos a história de amor da belíssima plebeia Margarida Gautier com um jovem da alta burguesia francesa, Armand Duval. Deixando o glamour de Paris, os dois amantes retiram-se para o campo, mas o pai de Armand procura impedir esta relação, implorando a Margarida que deixe o filho devido ao bom nome da família. Margarida, infeliz, aceita abandonar o seu amado, dizendo-lhe que está comprometida, mas enquanto tenta esquecê-lo, mergulhando de novo na vida cortesã, adoece gravemente com tuberculose.Quando Armand Duval descobre que a renúncia ao amor por parte de Margarida Gautier resulta da pressão do seu pai, é já muito tarde... A inspiradora deste romance foi a jovem cortesã Marie Duplessis (1824-1847) que Alexandre Dumas filho conheceu em Saint-Germain-en-Laye. O próprio autor, em 1867, afirma que "a pessoa que me serviu de modelo para a heroína de A Dama das Camélias chamava-se Alphonsine Plessis, que compôs o nome de Marie Duplessis por achar que era mais eufónico e sugestivo". Esta jovem, de acordo com Dumas, "era alta e muito esbelta, de cabelo negro e rosto rosa e pálido. Tinha a cabeça pequena, olhos rasgados com o aspeto da porcelana de uma japonesa, mas vivos e finos, os lábios com o vermelho das cerejas e os mais belos dentes do mundo..."Marie Duplessis ou Rose Alphonsine Plessis nasceu na província, mas mudou-se para Paris, onde se tornou numa deslumbrante cortesã que arrebatava diversos corações, inclusive o de Dumas filho, que se apaixonou intensamente. Questões de dinheiro levam à separação, procurando a cortesã refúgio nos braços do compositor Franz Liszt e, mais tarde, no casamento com o Visconde de Pérregaux.O fascínio por esta jovem mulher, que morreu com apenas 23 anos, levou Alexandre Dumas a construir Margarida Gautier, a personagem de uma trágica história de amor, que parcialmente o escritor vivera. O próprio nome "Dama das Camélias" resultou do facto de Marie Duplessis gostar de se rodear de flores, mas de se sentir mal com o perfume das rosas, recorrendo às camélias, sem aroma, para enfeitar a sua casa.Esta narrativa emotiva, marcada pelo lirismo romântico, e cujo tema serviu de inspiração a Verdi, em La Traviata, acabou por, simultaneamente, chocar e fascinar a sociedade da época.in Porto Editora, 2003-2016. [consult. 2016-03-21 16:00:34]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/$a-dama-das-camelias
"A Dama das Camélias" encontra-se em Cena no Auditório Municipal Eunice Muñoz até 3 de Abril de 2016. Esta peça, produzida pela DRAMAX – Centro de Artes Dramáticas de Oeiras, conta no elenco com Sofia Alves, Ruy de Carvalho, Carmem Santos, Joel Branco, Igor Sampaio, Rita Cleto, Pedro Carvalho, Tiago Careto, Helena Veloso, Paula Marcelo, João de Carvalho e Carlos Santos. A encenação é de Celso Cleto
"A discussão moral e ética desta obra leva-nos ao famoso episódio bíblico: Se Jesus perdoou Maria Madalena, por que não podemos perdoar nós a Dama das Camélias?", lê-se na nota de imprensa
Bilhetes e mais informações: http://ticketline.sapo.pt/evento/A-DAMA-DAS-CAMELIAS-DE-ALEXANDRE-DUMAS-FILHO-13108
Variações sobre um tema original "Medicina" na Literatura V, Op.17
ARS MEDICA ET CHIRVRGICA | Arte Médica e a História da Medicina
Representações da Condição Humana. Representações da Saúde e da Doença. Da Felicidade, Melancolia e do Desespero. Da Vida e da Morte. Na Arte, na Literatura, na Pintura, na Escultura, na Música. Fragmentos esparsos da Medicina na sua História.

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