Medicina e a Presidência da República.
Variações sobre um tema original, "Medicina" em Portugal III, Op.14
Poderia ter sido Presidente da República se tivesse aceitado candidatar-se ao cargo nas eleições presidenciais de 1923, mas como sempre fez ao longo da sua vida, Carlos Belo de Morais preferiu o exercício da Medicina aos grandes cargos. Numa altura em que as conturbações políticas da I República eram uma constante, chegou a candidatar-se como independente em condições menos vantajosas dois anos depois, em 1925, após a demissão do Presidente da República de então, Manuel Teixeira Gomes. Não passou para além da primeira volta, numas eleições nas quais Bernardino Machado sairia vencedor.
![]() |
| Carlos Belo de Morais, candidato às presidenciais de 1925. |
Carlos Belo de Morais foi o primeiro diretor da recém Faculdade de Medicina de Lisboa criada após a implantação da República, em 1911. Discípulo do Dr. Sousa Martins, estudou medicina na antiga Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde, mais tarde, foi docente e alcançou o topo da carreira como professor de clínica médica. Nascido no Crato em 1868, Belo de Morais foi um notável médico e professor, tendo sido Lente proprietário de Fisiologia Especial e Patologia Interna na Escola Médico-Cirurgica de Lisboa. Foi director do Hospital de Santa Maria e da enfermaria do Hospital de S. José, presidente da Sociedade de Ciências Médicas, membro do Conselho de Saúde e Higiene Pública, Liga Nacional contra a Tuberculose e da Assistência Nacional aos tuberculosos.
Remodelou profundamente o ensino da medicina em Portugal, dando especial atenção à semiologia médica, saber que transmitia com uma conhecida capacidade oratória. É por muitos considerado o fundador da moderna medicina portuguesa.
Falecido em Lisboa em 1933, Belo de Morais tem a sua memória perpetuada numa estátua erigida pelo povo do Crato.
Nesta que foi a semana de tomada de posse do XX Presidente da República, de entre os três autores citados, dois deles médicos, nas próximas revisitações percorreremos aquele que culminou o discurso de tomada de posse de Sua Excelência o novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa - Miguel Torga.
Variações sobre um tema original "Medicina" em Portugal III, Op.14
ARS MEDICA ET CHIRVRGICA | Arte Médica e a História da Medicina
Representações da Condição Humana. Representações da Saúde e da Doença. Da Felicidade, Melancolia e do Desespero. Da Vida e da Morte. Na Arte, na Literatura, na Pintura, na Escultura, na Música. Fragmentos esparsos da Medicina na sua História.

Sem comentários:
Enviar um comentário