sexta-feira, 11 de março de 2016

Medicina e a Presidência da República

Medicina e a Presidência da República.
Variações sobre um tema original, "Medicina" em Portugal III, Op.14

   Poderia ter sido Presidente da República se tivesse aceitado candidatar-se ao cargo nas eleições presidenciais de 1923, mas como sempre fez ao longo da sua vida, Carlos Belo de Morais preferiu o exercício da Medicina aos grandes cargos. Numa altura em que as conturbações políticas da I República eram uma constante, chegou a candidatar-se como independente em condições menos vantajosas dois anos depois, em 1925, após a demissão do Presidente da República de então, Manuel Teixeira Gomes. Não passou para além da primeira volta, numas eleições nas quais Bernardino Machado sairia vencedor.

Carlos Belo de Morais, candidato às presidenciais de 1925.

   Carlos Belo de Morais foi o primeiro diretor da recém Faculdade de Medicina de Lisboa criada após a implantação da República, em 1911. Discípulo do Dr. Sousa Martins, estudou medicina na antiga Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde, mais tarde, foi docente e alcançou o topo da carreira como professor de clínica médica. Nascido no Crato em 1868, Belo de Morais foi um notável médico e professor, tendo sido Lente proprietário de Fisiologia Especial e Patologia Interna na Escola Médico-Cirurgica de Lisboa. Foi director do Hospital de Santa Maria e da enfermaria do Hospital de S. José, presidente da Sociedade de Ciências Médicas, membro do Conselho de Saúde e Higiene Pública, Liga Nacional contra a Tuberculose e da Assistência Nacional aos tuberculosos.

   Remodelou profundamente o ensino da medicina em Portugal, dando especial atenção à semiologia médica, saber que transmitia com uma conhecida capacidade oratória. É por muitos considerado o fundador da moderna medicina portuguesa.

   Falecido em Lisboa em 1933, Belo de Morais tem a sua memória perpetuada numa estátua erigida pelo povo do Crato.


   Nesta que foi a semana de tomada de posse do XX Presidente da República, de entre os três autores citados, dois deles médicos, nas próximas revisitações percorreremos aquele que culminou o discurso de tomada de posse de Sua Excelência o novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa - Miguel Torga.


Variações sobre um tema original "Medicina" em Portugal III, Op.14

ARS MEDICA ET CHIRVRGICA | Arte Médica e a História da Medicina
Representações da Condição Humana. Representações da Saúde e da Doença. Da Felicidade, Melancolia e do Desespero. Da Vida e da Morte. Na Arte, na Literatura, na Pintura, na Escultura, na Música. Fragmentos esparsos da Medicina na sua História.

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