quinta-feira, 17 de março de 2016

Quem foi Miguel Torga?

Quem foi Miguel Torga?
Variações sobre um tema original, "Medicina" na Literatura IV, Op.16

   Miguel Torga é o pseudónimo do escritor, poeta e médico otorrinolaringologista Adolfo Correia da Rocha. Nasceu em São Martinho de Anta, em 1907 e morreu no dia 12 de Agosto de 1995 em Coimbra. Formado em Medicina pela Universidade de Coimbra, Miguel Torga desde cedo revelou invulgar talento para a poesia, tendo chamado a atenção dos críticos literários quando aos 21 anos de idade, publicou Ansiedade, um livro de poemas.

   Jovem e audacioso, Miguel Torga escreveu em pouco mais de cinco anos (1931 a 1936) três livros que surpreenderam o mundo das letras portuguesas, Rampa, Tributo e O outro livro de Job, que suscitaram grande polémica tanto pelo inconformismo do seu pensamento, como pelo arrojado modernismo formal. Como prosador, Torga assumiu um lugar de destaque no panorama literário português escrevendo Pão ázimo, Terceira voz e muito especialmente com a grandiosa série de romances autobiográficos constituída por A criação do mundo (os dois primeiros dias), O terceiro dia da criação do mundo, O quarto dia da criação do mundo e O quinto dia da criação do mundo. Homem de escrita rude e simples, Miguel Torga espantaria mais uma vez os críticos escrevendo Bichos, Montanha e O senhor Ventura, uma série de contos rústicos que o confirmaram como um dos maiores contadores de histórias da língua portuguesa. 


Miguel Torga em sua casa, de meias. Foto de Eduardo Gageiro. Em documentário para a RTP, o
fotógrafo gravou o testemunho do seu encontro e as circunstâncias da fotografia.

   Miguel Torga, que foi por diversas vezes candidato ao Prémio Nobel da Literatura, escreveu uma vasta série de romances: Novos Contos da Montanha, Pedras Lavradas, Lamentação, Cântico do Homem, Libertação, Odes, Nihil Sibi, Portugal, Poemas Ibéricos, Vindima, Diário, Alguns Poemas Ibéricos, O Porto, Traço de União e Penas do Purgatório. Para o teatro escreveu O Paraíso e Terra Firme. Recebeu os prémios Diário de Notícias (1969), Grande Prémio Internacional de Poesias das bienais de Knokke-Heinst (1976), Prémio Morgado de Mateus (1980), Prémio Montaigne (atribuído pela Fundação FVS de Hamburgo em 1981) e o Prémio Camões em 1989.

   Como forma de perpetuar a sua memória, para além de inúmeras ruas que lhe foram dedicadas, existem dois prémios de incentivo às letras, o prémio Literário Miguel Torga da Câmara Municipal de Coimbra e o Prémio Internacional Miguel Torga, instituído pelo Lions Club. Em Coimbra, local onde desenvolveu praticamente toda a sua obra, encontra-se a Casa-Museu em seu nome dedicada, assim como foram preservados outros espaços em viveu em S. Martinho de Anta, de onde é natural.

   Miguel Torga traduziu de forma exímia as suas raízes assumidamente transmontanas na sua escrita. Homem tão recto quanto veemente, possuído por uma profunda ternura pelo ser humano, legou-nos, como dramaturgo, autor de contos e de romances, mas sobretudo como poeta e diarista, uma obra onde se reflectem as apreensões, esperanças e angústias do seu e nosso tempo, mas que também se impõe pela pureza,  originalidade e coerência da linguagem.


Variações sobre um tema original "Medicina" na Literatura IV, Op.16

ARS MEDICA ET CHIRVRGICA | Arte Médica e a História da Medicina

Representações da Condição Humana. Representações da Saúde e da Doença. Da Felicidade, Melancolia e do Desespero. Da Vida e da Morte. Na Arte, na Literatura, na Pintura, na Escultura, na Música. Fragmentos esparsos da Medicina na sua História.


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